Há
muitos anos atrás, no interior
de São Paulo, havia um homem
que fabricava fogos, chamado Gaudêncio.
Ele era apaixonado pelos seus fogos.
Naquela
região, todos apreciavam a sua
habilidade em fabricá-los, mas
este possuía um grande inimigo:
o Coronel Fábio, que era um homem
que fazia as melhores festas juninas
da região. Todos elogiavam suas
festas, menos Gaudêncio, porque
ele nunca fora convidado para enfeitar
com seus fogos a festa do coronel. Este
que era muito orgulhoso queria que Gaudêncio
se oferecesse para ajudá-lo nas
festas, mas sem ser convidado, por outro
lado, o fogueteiro que também
era orgulhoso, ignorava-o.
Certo
dia, um mensageiro do coronel foi convidar
Gaudêncio para participar das
tais festas, dizendo que o coronel o
mandara. Gaudêncio para castigá-lo,
recusou, e depois de muita insistência
disse que ia pensar, e que ele passasse
outro dia.
O mensageiro
voltou várias vezes e Gaudêncio
dizia que ainda não tinha resolvido.
Somente na época do início
das festas é que ele se decidiu
aceitar, dizendo que iria, só
para não causar má impressão,
porque por ele, não tinha vontade
alguma.
A partir
desse dia começou a fabricar
os melhores fogos que jamais havia feito.
No dia da festa, o Coronel Fábio
assistia a tudo de sua varanda e ficou
muito surpreso quando viu os fogos.
Procurou Gaudêncio e perguntou-lhe
se havia perdido o orgulho. Este ficou
espantado, sem saber o que dizer. Depois
de muita discussão, ambos perceberam
que se tratava de uma brincadeira do
empregado do coronel. Louco de raiva,
o Gaudêncio disse que só
pararia com os fogos quando o coronel
lhe pedisse perdão.
Mudou-se
para perto da fazenda dele e todos os
fins de semana soltava muitos fogos,
durante a noite toda. Anos e anos se
passaram, sem que o coronel se rebaixasse,
até que ele morreu, e logo em
seguida, o Gaudêncio; mas mesmo
assim o foguetório continuou.
Tem gente que diz já ter visto
o fantasma do Gaudêncio soltando
os fogos, enquanto o fantasma do coronel
grita sem parar: "Chega! Chega!".
Mas perdão ele não pede. |